É preciso dar ao Dia a qualidade do ‘novo’. Ele, o Dia, que é um provocador de encantamentos, sempre carece de um pouco mais de paixão. Paixão, que vem a ser aquele arrebatamento dos amores à primeira vista. Deslumbramento. O Dia quer ser paixão ao primeiro piscar de olhos. O Dia anseia a correspondência. (A gente corresponde a paixão de um novo dia?)
É preciso se apaixonar por cada novo Dia. Dia, que não tem ciúme de outro dia, exceto alguma tristeza quando chega portando o HOJE e é preterido pelos amanhãs que ainda virão e pelos passados encalacrados que nunca irão voltar. É verdade que a gente não escolhe se apaixonar mas, é preciso que nos passeie por dentro a disposição. A pré-disposição e os olhares dispostos do bem-querer. A gente pode querer, dando assim, à paixão, o poder de acontecer.
Querer a paixão de um novo Dia é estar naquele estado que nos permite ver a graça, as belezas embutidas, as nuances das cores ignoradas, a graciosidade dos movimentos que cada segundo desfila, a vitalidade das novas esquinas, o sossego de um coração que se faz amável.
É preciso esperar pelo novo Dia como quem espera o namorado novo no portão. O portão do sol que é aberto para a chegada do Dia, que poderá ser novinho em folha de novidades, ou até bem parecido com todos os outros dias, não é isso que importa. Importa é lembrar que o Dia não gosta de ser engavetado sem lembranças. Ele quer constar no diário das nossas paixões. Quer a primazia do bem existir e, ainda que só fosse um ensaio de paixão, o Dia quer vibrar em nós, quer nos merecer, quer ser merecido. Às vezes, até um dia que já foi vivido merece ser redescoberto.
Cair no colo dia Dia é disposição. É dar intimidade. É ultrapassar o tédio, a preguiça e as inconveniências. Feitos de fases, nem sempre estaremos prontos, até os Dias sabem disso, mas nos ver à sua espera no portão do sol, trazendo a paixão como opção, faz o dia sorrir, e você sabe, não?
_ Um dia sorrindo é um dia agradecido e capaz de todo retribuição enquanto passa. Enquanto carinhosamento, passa.
Calma não é exatamente o sentimento mais fácil de sentir. A gente quer a calma e até sonha com ela. Faz um cenário: uma varanda branca, um mar bem azul, perfumosos aromas florais e muitas árvores dançando suas folhas ao sabor de um vento quente pra relaxar. Imaginamos a calma habitando um lugar perfeito à prova de incomodações e chatices. E deixa ela lá, de férias perpétuas. Só que a gente precisa dela aqui. Sempre perto. Frequente. Constante. Amiga. E precisamos dela justamente nas ocasiões em que ela parece não se habituar:
A fila do banco. O trânsito das seis. A birra do filho. O ciúme do ser amado. O telefone que não toca. Ou toca na hora errada. O negócio que não anda. O relógio que corre. A balança que dispara. E ainda são as cólicas, a dor de cabeça, as costas que travam. Metas, projetos, prazos, contas, atrasos, decepções. E o indefectível estresse, que nunca se faz de rogado. Como alcançar as mãos delicadas da calma em meio ao pequeno caos diário a que nos submetemos?
Como convencê-la a ficar por perto, mesmo que às vezes a paisagem pareça um pouco árida? Creio ser preciso que ela independa do meio, que ela sinta-se bem dentro da gente como se fôssemos um pequeno oásis . Cultivá-la através de pequenos gestos que garantam seu reinado para que ela possa nos protejer com sua aura de azulados tons . Fortalecida por muitos gestos, seja tão abundante que os percalços não a intimidem. Flor por flor, há um jardim inteiro pra plantar e cultivar. Depende da gente. Sorte nossa que ela não é muito complicada e inspira-nos a traçar um caminho muito simples, aquelas atitudes que a gente até sabe, mas que é sempre muito útil lembrar. Para a calma ficar é sempre bom:
Tomar um ar dar um tempo e aceitar, Voltar-se pra dentro fazer uma oração e confiar, Chorar se der vontade pedir colo e desabafar, Ter um olhar abrangente ser positivo e nunca se acomodar, Acreditar no possível soltar a imaginação e sonhar, Ocupar as mãos trabalhar mas saber a hora de parar, Manter os pés no chão mas do vôo de impossíveis não se amedrontar, Gostar da vida gostar da pessoas e nelas se demorar, Descomplicar, simplificar não perder tempo e respirar, E quando tudo parecer agudo demais soltar a corda, soltar as rédeas e RECOMEÇAR.
A calma tem uma grande aliada, a sabedora, uma grande mania, a alegria, e uma sede tenaz: _ Calma é flor que tem que ser regada todo santo dia!
O segredo da qualidade de vida e da saúde está nas relações afetivas interpessoais. Incluem-se nessas relações não apenas o casal, a família e os amigos próximos, mas todos aqueles com quem convivemos. A família é a célula básica da sociedade, o ambiente onde se desenvolvem as estruturas psíquicas, onde a criança forma sua identidade e amadurece emocionalmente. A experiência de vida e o amor dos pais pelos filhos são fatores importantes para o bom relacionamento familiar.
A dica de hoje é: abrace mais, ame mais, cuide mais daqueles que estão ao seu lado. Quando não estamos bem com a nossa família, isso afeta o nosso desempenho no trabalho, nos estudos e em outros ambientes... pense nisto.
Para começar bem o dia, segue uma reflexão de um dos mais brinlhantes palestrantes brasileiros, Daniel Godri.